terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Haikais da hora: Ciclo


Ciclo

 

Nas noites de chuva

o verde novo  enrijece.

Sonha lua nova.

 

Brotinhos.

Por entre folhas verdes

brotam caracóis.

 

Frutos podres.

Passarinhos avoam.

Botões em flor.
 
 
            

      Poema de Marciano Lopes

 Fonte da imagem: clique aqui
 

 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Haikai da hora: Sonho feminista


Sonho feminista:

ser a única amazona

do seu cavalo-marinho.


Poema de Marciano Lopes                                              
 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Tardes brejeiras


O sapo

                  coaxa

a lesma

                  se arrasta

a lagartixa

(que preguiça!)

                  o rabo espicha.

 

Na cama

minha gata

(que graça!)

                   se espreguiça...

 

Ah! Essas tardes brejeiras

de subúrbios do interior...
 

Poema de Marciano Lopes
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ecopoesia: "Meu jardim", de Priscila Antonio

Dias 1 a 3 de agosto participei do I Congresso Internacional de Literatura e Ecocrítica realizado na UFPB, em João Pessoa, Paraíba. Uma das atividades de sua programação foi a realização de um sarau ecológico, pois previa, após a leitura de poemas com temática ecológica (ecopoemas) de participantes do evento, o plantio de mudas de árvores no pátio do Instituto de Educação Doce Mãe de Deus, também destinado a acomodar pacientes de outras cidades em espera de cirurgia. Entre os poemas lidos, está "Meu jardim", de Priscila Antonio da Silva. Na foto acima, ela se encontra a minha frente, atrás da muda plantada. Ao seu lado direito (de verde e vermelho), está Zélia Bora, presidente e organizadora do congresso. A minha direita, atrás, vê-se Scott Slovic, primeiro presidente da ASLE (Association for the Study of Literature and Environment).
















Meu jardim
Priscila Antonio


A sutileza das folhas saltitando pela rua,
os pássaros que se escutam de longe
mas que mesmo sem serem vistos
divulgam seu cantar;
as flores coloridas, distribuídas
em jornal, em campesais
buscam se não a beleza
a felicidade dos meus ancestrais.

_______________________________

Abaixo, outras fotos do evento ecológico, gentilmente cedidas por Priscila Antonio.




Acima, o poeta peruano









domingo, 23 de setembro de 2012

Um poema em cada árvore

 
21 de setembro, vésperas de primavera, Dia da árvore, dia de "Um poema em cada árvore", movimento pela natureza e pela poesia. Pela leitura das palavras e do mundo. Um prazer ter participado da ação, que ocorreu em 83 cidades do país, incluindo Maringá, onde o amigo e escritor Marco Hruschka foi o articulador. Abaixo, meu poema selecionado - O amor à sombra das sibipirunas - e outro feito no dia, no frescor da tarde pós-chuva.
 
                                         
 
    Foto: Angela Ramalho                                            Foto: Angela Ramalho

 
 
Foto: Marco Hruschka

 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Revista Coyote completa 10 anos!

 
Revista literária comemora 10 anos com inéditos em livro de João Antônio, poemas traduzidos de Alejandro Jodorowsky e ficção de Amilcar Bettega.
 
Uma década uivando contra o conformismo – este é o espírito da revista Coyote, que comemora 10 anos de existência independente com a nova edição de número 24. Para brindar os leitores, as páginas da revista trazem fragmentos inéditos em livro de João Antônio (1937-1996), com saborosas i
mpressões sobre sua curta passagem por Londrina em 1975, quando morou na cidade, e uniu-se a um time de feras da imprensa nacional para fazer o jornal Panorama. Com fotos de Elvira Alegre, o escritor e historiador Tony Hara destaca em seu ensaio introdutório sobre o autor de Malagueta, Perus e Bacanaço e Ô Copacabana!: “Muito se fala sobre o sumiço de João Antônio da atual cena literária. Apesar de participar ativamente da grande imprensa e da imprensa nanica, de mais de 10 livros publicados e de três Jabutis nas costas, João Antônio ainda é, como dizia Jaguar, o mais conhecido entre os escritores desconhecidos”.


 


O número apresenta também um conjunto de poemas do chileno Alejandro Jodorowsky (traduzidos por Vinícius Lima), autor de dezenas de livros, diretor de vários filmes e parceiro de Moebius em clássicos dos quadrinhos como a série Incal.
 

A tradutora Viviane de Santana Paulo apresenta em primeira mão os pungentes poemas do alemão Jan Wagner (1971). Guilherme Gontijo Flores e Mario Domingues traduzem do latim a poesia elegíaca do romano Propércio (50-45 AC - 15 DC), pouco conhecida no Brasil. O número traz como editorial o poema “Ao Coiote”, de Jorge Luis Borges, traduzido do espanhol pela poeta e tradutora Josely Vianna Baptista.

Há ainda contos inéditos de Amilcar Bettega, Paulino Júnior e Alberto Lins Caldas e poemas de Andréia Carvalho, Ikaro Maxx, Artur Gomes e Adriana Versiani dos Anjos. O fotógrafo Orlando Azevedo assina a capa e o ensaio fotográfico do número. Na contracapa, Beto assina o cartum bem-humorado de aniversário da revista.

Em seus dez anos de existência a Coyote publicou mais de 340 autores: de poetas a fotógrafos, de ficcionistas a tradutores, de ensaístas a desenhistas brasileiros e internacionais. Sempre com uma linguagem gráfica ousada e material inédito, patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) de Londrina, Coyote firmou-se como "uma das mais importantes revistas literárias do país" (Folha de S. Paulo).
 

Editada pelos poetas e jornalistas Rodrigo Garcia Lopes, Marcos Losnak e Ademir Assunção, a revista Coyote vem revelando novos autores do Paraná, do país e do exterior, reapresentando aos leitores nomes importantes, mas muitas vezes pouco conhecidos ou esquecidos das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, instigando a leitura, a reflexão e a criação literária, sempre farejando a fatia mais radical da literatura brasileira e internacional – radical na linguagem e nas abordagens.
 
“Não estamos preocupados com o que está em alta no mercado. Nosso interesse é nas obras que estiveram, estão e estarão em alta no quesito criatividade, arte da linguagem, densidade e provocação” – dizem os editores.


COYOTE 24 // 52 páginas // R$ 10,00. Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país, com distribuição pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161.
 
**EM CURITIBA: LIVRARIA DO SESC PAÇO DA LIBERDADE E LIVRARIA DO CHAIM.

**EM LONDRINA: BANCA RODEIO E LIVRARIA DA SILVIA

Pode também ser adquirida pela internet através do site: www.iluminuras.com.br


Contatos: marcoslosnak@gmail.com / zonabranca@uol.com.br / rgarcialopes@gmail.com


PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA - SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LONDRINA

Risco

Marciano Lopes
 


  risco
   ar                  fogo

trago

inevitável
escarro

tolas
manhãs

risco

arisco               
                         risco

fogo      

!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Lançamento de "Paridos e rejeitados", de Nelson Alexandre.

Nelson Alexandre lançou recentemente, dia 4 de julho, no SESC/Maringá, seu primeiro livro: Paridos e rejeitados, seleção de seus melhores contos. Infelizmente não estive presente. Mas compartilho agora (com um pedido de desculpas pela ausência) as fotos da noite de lançamento. Um abraço, Almirante Nelson!





Veja seu mais recente poema: "Aquele poema pra você".

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Chamavento!


Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa-dos-ventos danou-se
O leito do rio fartou-se
E inundou de água doce
A amargura do mar
("Rosa-dos-ventos", Chico Buarque)
:
:
Noite de vento, noite dos mortos.
         (O Tempo e o Vento, Erico Verissimo)

                                    Marciano Lopes



Divino vento!

Não nasce nem morre.

Apenas existe.

Infinito como o tempo.

Divino vento

que faz as montanhas virarem pó

e faz o pó invadir minha alma

carregando o cheiro fétido da morte.

Divino vento que tudo arrasa e arrasta!

Divino vento que move moinhos!

Inflama a chama alastra o fogo

e revolta os mares em vagas colossais!

Divino vento

que penetra por todos os cantos

poros, narinas e frestas...

Divino vento que revolve a terra

seca e esquálida

que povoa a história com sussurros

e desenterra velhos sonhos adormecidos.

Vem!

Vem divino vento!

Vem vendaval!

Vocifera em meus olhos a ira dos deuses

na imensidão da noite!

Vem!

Enlouquece a natureza!

Que corujas lancem pios!

Cães ladrem nos terraços!

Vacas pastem em jardins!

Cavalos relinchem em hotéis!

Gatos uivem no céu!

E ratazanas invadam as ruas

numa gargalhada infernal!

Vem!

Divino vento!

Vem com toda a fúria!

Com a ira de todas as malditas gerações

amordaçadas!

Vem!

Arrebata a rosa-dos-ventos!

Divino e bendito vento!
__________________________
Reescritura de um antigo poema intitulado "As vozes do vento", publicado no livro Concurso DCE-FURG - 15 anos de Contos e Poesias. Rio Grande/RS: FURG, 1987. p. 15-18.
:
Link para a sua tradução para o espanhol: http://cantantesdelatierra.blogspot.com.br/2012/07/llamaviento.html

terça-feira, 19 de junho de 2012

Três poemas eco-satíricos

Artigo: Projeto sacola oxi-biodegradável Fundação Verde (Funverde)*
Fonte:  
http://www.funverde.org.br/blog/sacolas/projeto-sacolas-ecologicas



Sanitário


No fundo de vale
corre um rio cheio
de lixo.

Lavou as ruas
da urbanidade.





Paradoxo


Homo consumens.
Perigosíssimo predador.
Tudo pega, paga e leva.**

Mas jamais sacia a sede.
Nem nunca mata a fome.

Somente a natureza
que pouco a pouco con-
some.




 Iniciativa privada



Ei brother!
Patenteia tua porra
antes que um gringo o faça!
Tu não pensa no futuro
das crianças?
Assegura a tua herança!
Registra o gene.
Carimba a carne.
Te conscientiza.
Vamos, te mexe!
No final das contas
porra!
iniciativa privada
não é bosta!***

____________________________________
NOTAS:

* A Fundação Verde (Funverde) é aqui de Maringá. Conheça seu blog e atuação. Para isso, é interessante consultar a seção "Clipping", que armazena - entre outros documentos - matérias jornalísticas em que ela é citada.
:
** Verso original: "Tudo pega, capa e come". É mais forte em suas imagens, mas não remete à ideia do consumo diário (e ordinário) que o verso "Tudo pega, paga e leva" faz muito bem, sem perder ritmo e sonoridade.

*** Poema publicado em meu livro A contrapelo. Para saber mais, veja: http://marcianolopes.blogspot.com.br/2010/09/contrapelo-de-marciano-lopes-livro-cd.html

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O AMOR À SOMBRA DAS SIBIPIRUNAS (um poema para as sibipirunas de Maringá)

...........................
Sibipirunas em flor
se  enlaçam
lado a lado nas calçadas.

Silêncio.
Frescor.

Pombos entre folhas.
Raios de luz.

Passo a passo
como noivos na catedral.

Amamos.










Poema de Marciano Lopes
Escrito entre 13 e 14 de junho/2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

El Cóndor-Fénix


No.
No es en la tierra
que el fruto
la poda encierra.

Y mucho menos
se encierra
sob la fuerza del tigre
que ruge
agride
y mata
sin dolor

la pala
            abra
                     cóndor
             alas
tiene

ojos          garras
           y



             y
fuego         semilla


 
ceniza         albor
             y


                  
Fênix                 Fênix
             Fênix


Oh! dioses de los Olimpos
y de eso infierno sagrado!
Oh! dioses de los deshumanos,
de los corruptos, desgraciados!
Oh! dioses de los mentirosos,
envidiosos, disimulados!
Oh! dioses de los asesinos,
del Prometeu acorrentado!*

______________________
Poema de Marciano Lopes
* La última estrofa es de Tisley Barbosa,
autor de la música de la canción hecha para el poema.
Tradución/adaptación del portugués por Marciano Lopes
Poema original: http://marcianolopes.blogspot.com.br/2010/08/fenix-de-marciano-lopes-e-tisley.html







quarta-feira, 23 de maio de 2012

Seminar & Souvenir - dois poemas (sobre a dor e o tempo) que dialogam com a MPB



SEMINAR
 :
O amor da gente é como um grão.
(Drão – Gilberto Gil)
:

Quem disse que temos todo o tempo do mundo?!
Se assim fosse, por que amar as pessoas
como se não houvesse amanhã?!

Não, o tempo não pára
e o sonho é como um grão:
tem que morrer pra seminar.
:
:




SOUVENIR
 :
Veja o sol dessa manhã tão cinza:
a tempestade que vem tem a cor dos teus olhos castanhos.
(Tempo perdido, Renato Russo)
:

Quando a dor te encontrar no fundo do calabouço,
lembra que a tempestade tem a cor dos teus olhos
e o frescor das fontes que brotam límpidas
do velho poço de pedras.

_______________________
Poemas do meu livro A contrapelo.
Para conhecer outros poemas do livro, clique aqui.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Águas-Vivas (poemas)





ÁGUA-VIVA I

Nas madrugadas navego.
Oceano sem fim.

Imensa onda.
Jaz mim.





 ÁGUA-VIVA II

Fumaça blues.
Flor essência
de sândalo.

Dourados
no aquário.






ÁGUA-VIVA III *

anêmonas
trêmulos
véus...

Divina Vênus
na cama...





ÁGUA-VIVA IV

Estrelas n’água.
Branca espuma
em teus lábios.

No firmamento
noctilucas pululam.

Astrolábios.





ÁGUA-VIVA V

Nas madrugadas bebo
águas vivas.

Resgato águas furtadas,
régias e marinhas.

Depois adormeço,
pálido de aurora.
















ÁGUA VIVA VI

Mar remoto.

No fundo
(da concha)
naufrago.




ÁGUA-VIVA VII

as ondas
espumantes
(en) volvem

o doce nácar
das conchas


_______________________
* Veja vídeo do poema em:
:
Link para sua tradução para o espanhol: http://cantantesdelatierra.blogspot.com.br/2012/05/aguas-vivas-aguavivas-poemas-de.html
:
Poemas publicados no livro A contrapelo.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Enchente

 
Na linha da pauta
recomponho a língua
como partitura.
Locus em que o logos
faz-se arte da escuta.


Do contrário, invade
imunda e obscura
como um rio
inundando as ruas.



___________________________________
Poema do livro Torpor, de Marciano Lopes

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Antropofagia Nacional (Receita rápida de samba enredo)

Mulatinhas da Bahia,
que toda a noite em bolandas
correis ruas e quitandas
sempre em perpétua folia,
por que andais nesta porfia,
com quem de vosso amor zomba?
– pergunta o velho Gregório
com a boca em brasa

respondem mulatas
e sertanejas em flor:
 Ah! Vinde ver-me enfeitada
Com minha saia engomada,
Com meus tamancos azuis!
Vinde ouvir-me na guitarra:
Não há nas brenhas cigarra
Que me acompanhe, não há!

– e enquanto rola a festa
o mal pelos trópicos se espalha:

ela é a luz ardente do meio-dia
o calor vermelho das sestas da fazenda
o aroma quente dos trevos e das baunilhas
a palmeira virginal e esquiva dos areais
nuvem de cantáridas rindo e zunzunzumbindo
numa fosforescência paradisíaca ! NÃO !
 vocifera o Dr. Aluísio –

ela é o fruto dourado e acre dos sertões
cobra cascavel lagarta viscosa
muriçoca doida e traiçoeira
que esvoaça assanha endoidece
os desejos enlambecidos pelo sol
pelo cheiro ácido e sensual das cabras
pelos olhos lascivos e luxuriosos das macacas !!!
Cruz credo MEU Deus!
(grita o juiz azedo)

é preciso desbravar as matas

e branquear este país!
Que nada, otário!
(fala manso o malandro)

Basta botar o bumbum pra quebrar
que na primeira faz tchan !
na segunda faz tchan !
na terceira faz tchan !

&

TCHAN TCHAN TCHAN !!!


E como tapinha de amor não dói
basta bambolear o bumbum
na Sapucaí!!!

É isso aí mano! Sapeca aí o samba!

batebumbum batebumbum batebumbum
batebumbum batembubum  batebum
batebumbum batebumbum bate
batebumbum batebumbum ba
batebumbum batebumbum
batebumbum batebum
batebumbum bate
batebumbum ba
batebumbum
batebum
bate
ba
bate
batebum
batebumbum
batebumbum ba
batebumbum bate
batebumbum batebum
batebumbum batebumbum
batebumbum batebumbum ba
batebumbum batebumbum bate
batebumbum batembubum  batebum
batebumbum batebumbum batebumbum

 pois como já dizia o maldito Baudelaire:

Vous feriez, à l’abri des ombreuses retraites
germer mille sonnets dans le coeur des poëtes

e assim sendo, por fim concluo:
nádegas a declarar, caro Gabriel !

_____________________________

(poema publicado no livro A Contrapelo, de Marciano Lopes)