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quarta-feira, 13 de junho de 2012

El Cóndor-Fénix


No.
No es en la tierra
que el fruto
la poda encierra.

Y mucho menos
se encierra
sob la fuerza del tigre
que ruge
agride
y mata
sin dolor

la pala
            abra
                     cóndor
             alas
tiene

ojos          garras
           y



             y
fuego         semilla


 
ceniza         albor
             y


                  
Fênix                 Fênix
             Fênix


Oh! dioses de los Olimpos
y de eso infierno sagrado!
Oh! dioses de los deshumanos,
de los corruptos, desgraciados!
Oh! dioses de los mentirosos,
envidiosos, disimulados!
Oh! dioses de los asesinos,
del Prometeu acorrentado!*

______________________
Poema de Marciano Lopes
* La última estrofa es de Tisley Barbosa,
autor de la música de la canción hecha para el poema.
Tradución/adaptación del portugués por Marciano Lopes
Poema original: http://marcianolopes.blogspot.com.br/2010/08/fenix-de-marciano-lopes-e-tisley.html







quarta-feira, 23 de maio de 2012

Seminar & Souvenir - dois poemas (sobre a dor e o tempo) que dialogam com a MPB



SEMINAR
 :
O amor da gente é como um grão.
(Drão – Gilberto Gil)
:

Quem disse que temos todo o tempo do mundo?!
Se assim fosse, por que amar as pessoas
como se não houvesse amanhã?!

Não, o tempo não pára
e o sonho é como um grão:
tem que morrer pra seminar.
:
:




SOUVENIR
 :
Veja o sol dessa manhã tão cinza:
a tempestade que vem tem a cor dos teus olhos castanhos.
(Tempo perdido, Renato Russo)
:

Quando a dor te encontrar no fundo do calabouço,
lembra que a tempestade tem a cor dos teus olhos
e o frescor das fontes que brotam límpidas
do velho poço de pedras.

_______________________
Poemas do meu livro A contrapelo.
Para conhecer outros poemas do livro, clique aqui.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Águas-Vivas (poemas)





ÁGUA-VIVA I

Nas madrugadas navego.
Oceano sem fim.

Imensa onda.
Jaz mim.





 ÁGUA-VIVA II

Fumaça blues.
Flor essência
de sândalo.

Dourados
no aquário.






ÁGUA-VIVA III *

anêmonas
trêmulos
véus...

Divina Vênus
na cama...





ÁGUA-VIVA IV

Estrelas n’água.
Branca espuma
em teus lábios.

No firmamento
noctilucas pululam.

Astrolábios.





ÁGUA-VIVA V

Nas madrugadas bebo
águas vivas.

Resgato águas furtadas,
régias e marinhas.

Depois adormeço,
pálido de aurora.
















ÁGUA VIVA VI

Mar remoto.

No fundo
(da concha)
naufrago.




ÁGUA-VIVA VII

as ondas
espumantes
(en) volvem

o doce nácar
das conchas


_______________________
* Veja vídeo do poema em:
:
Link para sua tradução para o espanhol: http://cantantesdelatierra.blogspot.com.br/2012/05/aguas-vivas-aguavivas-poemas-de.html
:
Poemas publicados no livro A contrapelo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Momentos "No Meio do Caminho": troféu de participação no Femucic 2004



Dré Camargo e Marciano Lopes
Troféu de participação no Femucic 2004

Canção: "No Meio do Caminho"
Letra: Dré Camargo e Marciano Lopes


Música: Dré Camargo
Interpretação: Cíntiah (voz) e Dré Camargo (violão e voz)

Veja ainda os meus poemas "O muro " e "Nel mezzo del camin" no artigo "No meio do caminho: o eterno retorno do mito" - ambos sobre a mesma temática.


Ouça a canção "No meio do caminho" no programa de rádio Outras Palavras disponível no artigo "A intertextualidade em questão: No meio do caminho X O muro".

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Guerra no Rio: um olhar irônico [1]





O olhar irônico a que me refiro no título é meu. Mas isto não descarta a hipótese de que, em alguns casos, também seja do fotógrafo (de modo que a ironia seria construída e não acidental). Em outras palavras, é quase certo que, em algumas fotos, o olhar por detrás da câmera construiu conscientemente as ironias (e alegorias) que vejo nelas. Mas não vou dizê-las. Convido o leitor a fazê-lo (ou discordar) nos comentários.
:Não deixe de ver "Guerra no Rio [2]" . postagem que encerra a série.
:
Sobre o tema, veja ainda meu poema Sinuca I e "Do cortiço à favela"*, abaixo,
ambos publicados em meu livro A contrapelo, em 2007.

* Com pequenas (mas significativas) alterações.


DO CORTIÇO À FAVELA
(evolução de um samba enredado)

:
em memória de Wilson Batista, Geraldo Pereira, Noel Rosa,
Elis Regina e Bezerra da Silva

...............................................
Rio 40 graus/cidade maravilha / purgatório da beleza e do caos.
(“Rio 40 graus” – Fernanda Abreu, Fausto Fawcet e Laufer)

no batuque de todo dia
cabeças tetas e pernas
quebra quebra e requebra
no terreiro da favela

................................................................gatos giram navalhas
................................................................rodam espinhas de peixe

a baiana mexe que mexe
num bamboleio que tem que tem
balança embola e rebola
dá um nó nas cadeiras
e vem sambando vem!

...............................................................na maior patuscada
...............................................................não há quem não dê leite...
.............................................................. (upa upa neguinho!)mas o quê que a baiana tem?!

pé de moleque paçoca
vatapá e acarajé
berimbau moda viola
quindim e cafuné

quem não tem samba no pé
bom sujeito não é!

.............................................................. olha a sardinha assada!
.............................................................. boa gostosa e barata!
.............................................................. olha a sardinha assada!

o morro não tem vez!
mas o que ele fez...

............................................................deixa disso mano
........................................................... com macaco do governo
........................................................... a gente se junta e mete o cano!

........................................................... e se alguém pisa no meu calo
........................................................... é só pegar no cavaquinho........................................................... pra cantar de galo!

brota do barro híbrido
barão de massapé
mas no pagode da tia
tem cocada pó escopeta
bananeiras e barracos
treta trepando morro acima

que sarapatel de gatos!

........................................................... urubu de fraque e cartola
........................................................... vai voando vê o que rola
............................................................domingo no Maracanã

a mocidade tá tá tá tá maluca
quebra requebrando pelas ruas
num samba da maior fissura!

.......................................................... (taí o corpo estendido no chão...)

do alto das arquibancadas
os mirandas nos mirantes
gritam loucos por seus tanques
:
..................................THE APOCALIPSE NOW
..................................THE APOCALIPSE NOW
..................................o arsenal indo aos ares
..................................num estrondo nacional!

rebenta o rap nas rádios
o funk na periferia
abaixo do equador não há pecado
nem filosofia

.................................................................. ajoelhou tem que rezar
.................................................................. malandro que é malandro
.................................................................. apanha de bico calado
.................................................................. não vacila nem cagüeta
...................................................................e quando sai de cana
...................................................................é por todos respeitado


...........................................ei você aí!
............................... qual o pente que te penteia?!!

ei você aí!!!

.................................................................... olha o pente da macaca cá !!!
:
:...............................
Pega um pega geral
.................................também vai pegar você!:
.................................................................

                                                                      (chora na passarela
..................................................................... pra que negar, amor
.........................................................................a dor...)

sábado, 14 de agosto de 2010

Fênix - de Marciano Lopes e Tisley Barbosa

FÊNIX

Não, não é na terra
que a pá
a lavra encerra

(e menos encerra
a força da fera
que grunhe e berra
e mata sem dor).

A pá-
lavra
asas
tem olhos
e garras.

Peleja
chama
e semeia/o
cinzas
cóndor.

Fênix, Fênix, Fênix...
Fênix, Fênix...

Oh! deuses dos Olimpos
e desse inferno sagrado!
Oh! deuses dos desumanos,
dos corruptos, desgraçados!
Oh! deuses dos mentirosos,
invejosos, dissimulados!
Oh! deuses dos assassinos,
do Prometeu acorrentado!

Fênix, Fênix, Fênix...Fênix, Fênix...
:
:
Poema de Marciano Lopes
Trecho em itálico e música de Tisley Barbosa (foto acima, feita por Fábio Pereira)
Gravação do CD A contrapelo de Marciano Lopes

Para ouvi-la e mais duas outras composições de Tisley Barbosa, clique aqui.

domingo, 4 de julho de 2010

Sinuca 1: "preto bate branco bate preto"


preto bate branco
bate preto
embola enrola esfola
assola
escarra escarra escarra
cuca luta dis-
puta
taco contra taco
sopapo
nuca noite coice
foice
bate bate bate
bola contra bola
bate
pelas ruas pelos guetos pelos panos
rola
bola contra bola
rola
............................

preto bate branco
bate preto
faca tapa coice
açoite
estala
bala contra bala
estala bala vala
desfia desafia afia
porfia
a faca o taco o troco
sufoco
cara contra cara
encara
caça contra caça
regaça
encara bate e cala
caçapa!
_________________________
O poema acima foi musicado por Lu Galetti e a gravação está no CD A Contrapelo, que acompanha meu livro homônimo. Para ouvi-la, clique aqui.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sinuca 2: Taco contra Taco

embola enrola volteia
bate
enrola esnoba floreia
bate
cuca luta bruta pura
disputa
taco troco truco traço
no braço
bola contra bola bate rebate
e gira
pelos cantos pelas beiras pelos panos
rola rola
bola contra bola bate rebate
estala
bola contra bola rela rala rinha risca
desliza
bola contra bola bate rebate reganha rebola
encaixa
taco a taco ferro fere firme forte
fácil

última bola:
cara a cara encara mira e cala
caçapa
:
:
marciano lopes

terça-feira, 29 de junho de 2010

No ritmo da Copa: poesia de pé em pé!

VELEIDADES DA VIDA
(ou a vida como ela é)

em memória de Nelson Rodrigues


Tá tá tá tá chegando a hora!!!!!
O peito bate que bate
no tique-taque do relógio
e faz das tripas coração!
Vibra a galera grita a galera
pede o fim da partida
mas a bola ainda rola
rebola remexe rebola
remexe rebola remexe
bate pinga e rebate
mexe bate e remexe
de pé em pé em pé
pica passa e repassa
peito bola perna
tronco tapa coxa
rebola esfola e bate
com fúria força e garra
arranca a tinta o flash a TRAVE !
o berro da galera o cravo a canela
dá-lhe samba suor e cachaça
de graça arregaça a raça
o bagaço a bunda a banda
balança rebola remexe
o peito o rádio a corneta
o apito a dor a mutreta
a pilha a pedra a retreta
no campo no pé na cabeça
pula
pica
rola
toca
dribla
passa
e lança
fundo
pra entrada do ponta que cruza livre pro craque na boca da área que chapéu! ginga vira e
olha o b(r)eque!
FILHA DA PUTA FILHA DA PUTA FILHA DA PUTA
bolina bolina bolina
bolina beija batuca e balança
depois reza pra Jesus Cristo Nosso Senhor
e bate
G
OOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOO
OOOOO
OOO
OO
O
L
A
Ç
O
A REDE O PAU A PEDRA
BALANÇA DANÇA QUEBRA
Ah! que espetáculo
a manada brotando nas galeras
escorrendo pelas ruas
macunaimando
arrastando pelas praças
bandas bolsas bundas
berrantes bois botecos
tapas tripas tropas
tecos trecos telecotecos
truques trocos trucos
latas cacos trapos
cracas cacas cocas
pernas copos bocas
coxas colchas trouxas
bocas braços pernas
braços abraços amassos
crassos de bruços devassos
mais mais mais e mais
de cabeça à beça
nas veleidades da vida!
:
:
marciano lopes

terça-feira, 22 de junho de 2010

Vídeo: "Dom Quixote Dali" - Poema: Marciano Lopes - Música: Ivan Téo



A canção acima - interpretada por Ivan Téo - foi feita para o poema "Dom Quixote Dali" (com algumas modificações do amigo). A gravação está no CD que acompanha o livro A contrapelo, lançado em 2007 com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

DOM QUIXOTE DALI

Dom Quixote manchado,
cavaleiro das taças quebradas,
envolto em moinhos
de sonhos e mágoas,
avante!.. avante!...
Impávido
pelos trilhos utópicos
alucinado a rodar e a rodar e a rodar
em sonhos...
carrossel...
Atravessa os túneis,
penetra a terra,
move os céus e as montanhas,
estrela a brilhar em consternação...
Constrói o futuro
e cola os cacos da história!
Tu que és trapeiro doido da lua,
eternamente um louco salvador...
Tu que és trapeiro doido da lua,
eternamente salvador dali...
Dali, daqui, de lá, acolá...
Evoé!
Avante Quixote!
Ole!... Ole!... Ole!...


___________________________________________________________
FICHA TÉCNICA:
D. Quixote Dali: poema de Marciano Lopes (adaptado por Ivan Téo)
Música e voz: Ivan Téo
Violões: Ivan Téo (de 12) e Paulinho Borges (nylon)
Violoncelo: Clodoaldo Nunes
Vozes no “ole!”: Marciano, Miguel, Carmen, Mateus e Manoela.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Poema na madrugada: "Ser/vida"

SER/VIDA

vida sobre/mesa
sobre/mesa vida
vida ser/vida

vida sobre/mesa
explícita

cadáver vivo?

natureza morta?

vida sobre/mesa
mesa sob(r)a vida
sobre/mesa vida

ser/vida
a/guarda
?

quem descubra
quem decifre
quem devore
?

faca
ques
pedaça
?

vida sobre/mesa
es/finge faminta

devora
ar/dente
mente
?

sente(?)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Poetas maringaenses no I Sarau Outras Palavras


Cartaz do I Sarau Outras Palavras


Capa do livro A Contrapelo, de Marciano Lopes.
 Obra publicada com o auxílio da lei de Incentivo à Cultura do Município de Maringá



Sessão de autógrafos de A Contrapelo, durante seu lançamento no I Sarau Outras Palavras.


Ao meu lado, Ana Sabino, meu "braço direito" na organização do evento!


 Nelson Alexandre Viana

Sansão (Fábio Freitas)


Agenda Poética Escolar Pernamente No Meio do Caminho
Organizador: Sansão
Obra publicada com o auxílio da lei de Incentivo à Cultura do Município de Maringá

Michel Navarro
:



Ivan Téo (Ivan Luiz de Oliveira)
:

Ana Guadalupe
:

donLeal
:

Nívea Martins
:

Ana Guadalupe e Rodrigo Carrera
:

Michel Navarro
:

Nívea Martins
:

Nelson Alexandre Viana
:


Ivan Téo (Ivan Luiz de Oliveira)

Poetas maringaenses que participaram do I Sarau Outras Palavras, ocorrido no MPB Bar em 3 de outubro de 2007 por ocasião das comemorações dos 40 anos do Departamento de Letras da UEM mais lançamento do meu livro e CD A contrapelo e da Agenda Poética no Meio do Caminho, organizada pelo amigo Sansão. A todos os meus sinceros agradecimentos!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mirando Janis Joplin no I Acorde Universitário



MIRANDO JANIS JOPLIN

Letra: Marciano LopesMúsica: Luciano GalettiIntérprete: Ivan Téo
É nessa cadeira, vejam, é nesta cadeira vazia
que ouço Janis Joplin
e converso com Bertold Brecht
sobre os absurdos do mundo.
É nessa cadeira, vejam, que ouvimos Neruda cantar
e converso com o mais estranho e eclíptico demente
que com os meus olhos meninos eu vi!
Ele se delicia com rainhas, balões, porcos e pedras rolantes,
grita berra e murmura baixinho
que não tem certeza de nada e que a ignorância também é sábia.
Fala de doidos amores
conta as mulheres que comeu e cuspiu
nos podres vasos da aurora
nos banheiros sujos em que deixou
o âmago quente do seu estômago
cansado da burra servidão do dia.
É nessa cadeira, vejam,
é nesta cadeira vazia que converso com Janis Joplin
sim! eu converso com Janis Joplin!
Nessa cadeira Neruda a cantar!
Bertold Brecht fala dos absurdos do mundo!
Sim! Eu ouço Janis! Janis Joplin!
nesta cadeira vazia.

Não, não assuste não! São somente máscaras
com que disfarçamos o medo
o vazio o vácuo a velocidade a voz
que vem do nada por todos os lugares
jorrando como sangue do coração
fazendo esgares nos espelhos espalhados pelo caminho!
Sim, é nesta cadeira, vejam, é nesta cadeira vazia
que miro Janis Joplin!


Canção apresentada durante o 1º Acorde Universitário - Festival de MPB.
Promoção: Diretoria de Cultura da Universidade Estadual de Maringá (DCU-UEM), 2008.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A Contrapelo


Iluminura que abre a terceira parte de meu livro
A Contrapelo (Maringá:Clichetec, 2007)
Poema: Marciano Lopes
Arte: Xavier

Abaixo, mais alguns poemas desta parte do livro, os quais também se encontram no Cd A Contrapelo, que o acompanha.



LIÇõES DE HISTÓRIA


Lição 1: Introdução


Nossa história começa com os índios,
depois termina com eles.

Lição 2: Natureza e civilização ou Florestapera

FLORESTAPERA
RESTAPERA
ESTAPERA
TAPERA
PERA
ERA

Lição 3: Cidadania sempre alerta ou Pataxó pegou fogo


EXTRA ! EXTRA !
PATAXÓ PEGA FOGO EM BRASÍLIA!

Meretíssimo !
os garotos são de família
e acidentes acontecem
pra quem dorme no ponto.

Além do mais
era só um índio
só...

MIGALHAS

bebia sua vida num gole gargalo
com jornal de lã na calçada-divã
vestia saída num beco soberbo
de fome subúrbia
travessa sacia sua sede de pão

meio-dia fomenta milhares de carros
com tal sede insana faminta de grana
pro gole final que deu ali mesmo
de magna angústia
tomou batida e encheu a cara de chão

encheu a esquina
de cena
agora é a vida

que

pinga

que

pena
[1]


Milhões de migalhas
encobrem a mesa.

Milhões de migalhas
não fazem um pão.


Milhões de migalhas
não fazem nem mesmo
uma fatia.

Milhões de migalhas
são apenas mais sujeira
no dia a dia.

____________________
[1] O texto em itálico é um poema do amigo Sansão (Fábio Freitas), cujo título é “Pão e pinga (A fome e a embriaguez)” e foi gentilmente cedido para acompanhar meu poema "Migalhas". Para ouvir "Migalhas", "Lições de história" e "O poeta gauche e os arautos do Senhor", veja "3 poemas do Cd A Contrapelo, de Marciano Lopes".

Para adquirir a obra, contate o autor: etlopes@hotmail.com

domingo, 10 de maio de 2009

Urbanidade

Iluminura que abre a segunda parte de meu livro
A contrapelo (Maringá: Clichetec, 2007).
Poema: Marciano Lopes -
Arte: Xavier
Para adquirir o livro, contate o autor: etlopes@hotmail.com

Abaixo, mais dois poemas desta parte do livro:
:
:

ALEGRIA ALEGRIA !



Caminhando contra o vento
sem lenço e sem documento,
no sol de quase dezembro, eu vou...
(Alegria alegria – Caetano Veloso)


Caminhando contra o tempo
com lenço e com documento,
estilhaçado em mil cacos, eu vou...

Correndo vai meu presente
com o coração em descompasso,
NO LIMITE do desejo, eu vou...

Tonteio com tantas mil luzes,
mas não perco minha pose.
Sorrio só pro BIG BROTHER
e vou!

Tri doidão, muito doidão
corro louco só pra ver
o trio da alegria passar!
E vou!!!

Eu vou sim... Eu vou sim... Eu vou sim...

(só não sei bem pra onde ...)
:
:

RETIFICAÇÃO

Dizem que si hay gobierno yo soy contra.
Mas não é nem assim nem assado.
Eu só sou é meio avesso
a enquadramentos de comum estado.

(Onde civil cão que morda e ladre?!)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Diário de Bordo: "A contrapelo" por Ana Guadalupe

Com sensibilidade, Ana aborda a nau da poesia a contrapelo e de modo sutil intui (e sugere) uma narrativa que se dissimula sobre as águas turvas do texto... Crítica que se faz poética, poesia crítica.


Obs: todos os poemas selecionados acima por Ana são de "Ressurgências", 1a parte do livro A contrapelo.


terça-feira, 5 de maio de 2009

Ressurgências

Iluminura que abre a primeira parte de meu livro A Contrapelo (Maringá: Clichetec, 2007).
Arte: Mario donLeal e Gislaine Pagotto, com a colaboração de Graziele Queiroz.
Poema: Marciano Lopes
Para adquir o livro/cd, entre em contato com o autor: etlopes@hotmail.com

quarta-feira, 29 de abril de 2009

 


ORIGEN DE LA POESÍA

marciano lopes

 
El poeta es un dragón.
Un dragón que destruye las palabras
que se las mastica
tritura
rumia.

Y después
con furor
se las revuelve en un largo beso
de lenguas en fuego.
__________________________
O poema faz parte do livro e cd A Contrapelo, de Marciano Lopes.
Imagem: Mulher e demônio, de William Blake.