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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Do amor - poema


amor, palavra doida!
mas muito mais doido
é o sentimento...

a palavra
por mais cambiante que seja
você agarra, vira, revira
beija
ou escarra
em cada uma de suas mil faces
conforme sejam vulgares
ou diáfanas
mas o sentimento, ah!
o sentimento...
este você não agarra
que ele te pega de jeito por dentro
e te sufoca e te arrebata!
balão inflando no peito
planície de pêlos varridos pelo vento
barragem aberta
se derramando sobre o leito...



Marciano Lopes

sábado, 17 de abril de 2010

Bons sonhos - poema


astros lábios
entre teias
sem chão

bons filtros
balançam
ventanas

Poema da madrugada: Folhas do quintal

Folhas do quintal

                                      para Graziele Queiroz



Valesse um centavo
cada folha caída
e não se beberia
tão amargo travo
todo santo dia.




marciano lopes

sexta-feira, 26 de março de 2010

Poema da madrugada: "Canto de minas"

Já conheço essa história.
Já sei como termina.
Já sei que é bobeira
namorar uma menina.

Chave de cadeia...
Línguas de trapo...
Mil ciúmes sem fim...
É o que me espera
paquerar uma teen.

Mas também vejo
(que barato!)
nós dois tirando sarro
na cara dos otários...

Também sei: é puro cio.
(na espinha um calafrio...)
Prazer do proibido.
Prazer do desafio.

Sangue novo nas veias.
Vinho velho nos lábios.
Muita adrenalina, mina
é a bebida dos sábios.

É, já conheço a história.
Já sei como termina.
Mas meu barato, baby,
é zebrar qualquer sina!



(marciano lopes)

terça-feira, 2 de março de 2010

REOVO - poema da madruga

tô voltando
vô cantar no coral
e ser feliz sem pedras

porque saí do ovo
)de novo(
coro coralina
in cantata


para Thayse L.
02/03/2010

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

DON JUAN

me vejo ao teu lado
na foto envelhecida


tens aquele sorriso triste
e aquele jeitinho - esquivo
que tanto marcou

hoje não estás
nem sei se me vês

(bem sabes que sou cético

bem sabes que meu pai
há muito reneguei)

mas se puderes
saberás que em silêncio te amo
e não me canso de te buscar

buscar aquele sorriso
aquela alegria aquela lucidez
aquela força interior


que nunca encontrei

(maldito amor
que - de beijo em beijo
-
jamais beberei...)
:
:

marciano lopes

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Donas Doidas e Peter Pan

Ai que gostoso foi brincar de ser de mim!
(Betânia Leite da Silva)


há mulheres que vivem
a vida como eterna ciranda
e permanecem sempre crianças
nenen é boneca amor é babá
comê e bebê é festa
morrê é naná...

- olha lá que lindo
mais uma estrelinha no céu!
- trabalhar deus me livre!
batê cartão é muito chato
e obrigação um pé no saco!


saem por aí esvoaçando dando risadas
fazendo da vida doida poesia
que se recita em alta voz
no meio de multidões ou do alto das sacadas
e quando tão tristes magoadas feridas
batem o pé fazem beicinho dão porrada
entortam garrafões de vinho o diabo a quatro
fazendo do boteco palco picadeiro
ou teatro de arena em que o astro
é meteoro em colisão!

donas doidas doidivanas
divas marias marílias gabrielas
elisas pagus dudas lucindas
luas luanas luzias lucianas
graces kellys kátias katianes
lígias níveas margaretes margaridas
joanas janinas janiras judiths
alices claras belas betânias
miríades de liliths e mil afrodites
amo todas vocês mas a vida
é luta renhida que se encara na porrada
pra se poder sentar (um pouco) feliz
à mesa fartamente servida é preciso
ser mais que criança é preciso
por cinderela e peter pan no seu devido lugar
caso contrário esse moleque doido pirado e cheio
de boas intenções faz do sonho pesadelo
e da noite um infinito e emaranhado novelo sem lua
nem estrelas...
marciano lopes

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Castelos e marés

para Graziele Queiroz


Amor, bela palavra envilecida
ou por demais gasta, tão sem medida.

(Perdido gesto, movimento incerto,
tristemente frágil ao som de um cello.)

Amor, bela palavra já sorvida.
Sempre ávida e insaciável ferida.

(Sofrido gesto, movimento incerto,
medroso e tímido diante do belo.)

Amor, apenas mente se não vivido,
bem ou mal tocado, bem ou mal bebido.

(Um novo gesto: movimento certo
derrubando barreiras, criando elos...)

Amor, doce encanto que nos enleia,
procela de sonhos em plena areia!

(Ancestral gesto: o pulsar das águas
indo e vindo sobre frágeis castelos.)



marciano lopes