terça-feira, 30 de março de 2010
Poema da madrugada: "Elegia a um poeta romântico"
Marciano Lopes
¿Dónde iremos a parar
si se acaba Balderrama?
(Balderrama, canción de Cuchi Leguizamón y
Manuel J. Castilla)*
Vejam a cadeira.
Nela, ele bebeu e sonhou!
Nela, declamou Brecht,Walt Whitman e Maiakóvski,
ouviu de Neruda cielos y aguas
que lloran y cantan,uivou com Ginsberg,
brindou em pessoa com o Pessoa
e embriagou-se com Baudelaire!
(Depois cantou!
Em bom e andante Tom cantou
a eterna e última namorada...)
Sim, vejam a cadeira,
amarela, humilde e velha cadeira
(solitária como Van Gogh).
Nela, o triste e brioso bardo,
com sua boina e casaco azuis,
partilhou a dor de infinitas horas
por madrugadas inteiras!
Mas inteiro, sempre inteiro.
Pleno de lirismo e melancolia.**
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NOTAS
* A interpretação de "Balderrama", por Mercedes Sosa, fez parte da trilha-sonora do filme de 2008 Che, sobre Che Guevara.
** O desenho "El sueño de la razón produce monstros" (que aparece ao clicar-se em "Melancolia") é uma obra do pintor espanhol Francisco de Goya (1746 - 1828). As pinturas desta postagem são de Van Gogh.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Poema da madrugada: "Canto de minas"
Já sei como termina.
Já sei que é bobeira
namorar uma menina.
Chave de cadeia...
Línguas de trapo...
Mil ciúmes sem fim...
É o que me espera
paquerar uma teen.
Mas também vejo
(que barato!)
nós dois tirando sarro
na cara dos otários...
Também sei: é puro cio.
(na espinha um calafrio...)
Prazer do proibido.
Prazer do desafio.
Sangue novo nas veias.
Vinho velho nos lábios.
Muita adrenalina, mina
é a bebida dos sábios.
É, já conheço a história.
Já sei como termina.
Mas meu barato, baby,
é zebrar qualquer sina!
(marciano lopes)
quarta-feira, 17 de março de 2010
Amigos são para sempre!
terça-feira, 9 de março de 2010
A arte de donLeal no Jornal Aldrava
Seguem abaixo um poema e um cartoon de sua lavra:
Descobrir
não há nada de rarefeito
a não ser a palavra asfixiante
a mão que prende a respiração
o sono do ensino
e o menino decora o poema
e o menino não toca a poesia
não há descobrimento
do brasil mas há descoberta
de algum descobridor
não há mais como não levitar
a criança pula o muro da escola
que o avião tem asas nos braços

terça-feira, 2 de março de 2010
REOVO - poema da madruga
vô cantar no coral
e ser feliz sem pedras
porque saí do ovo
para Thayse L.
02/03/2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
DON JUAN
na foto envelhecida
tens aquele sorriso triste
e aquele jeitinho - esquivo
que tanto marcou
hoje não estás
nem sei se me vês
(bem sabes que sou cético
bem sabes que meu pai
há muito reneguei)
mas se puderes
saberás que em silêncio te amo
e não me canso de te buscar
buscar aquele sorriso
aquela alegria aquela lucidez
aquela força interior
que nunca encontrei
(maldito amor
que - de beijo em beijo -
jamais beberei...)
:
:
marciano lopes
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Discurso de embaixador mexicano a respeito da dívida externa

DISCURSO DO EMBAIXADOR MEXICANO
Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.
A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.
Eis o discurso:
· "Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
· Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
· Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
· Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.
· Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indenização por perdas e danos.
· Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
· Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
· Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
· Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.
· No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
· Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
· Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
· Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
· Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
· Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
· Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Mitomotocontínuo (poema em processo)
repressão
depressa
depressão
pensa
prensa
im
pre$$
cisão
prensa
.com ágio
plu$
.com riso
sarcástico
prático
fático
fétido
& ácido
não dis
pensa
versão
com im
pre$$
cisão
dê
prensa
dê
pressa
res
prensa
com
pressão
precisão
produção
repressão
im-
pre$$
são?!
com pressa
pre$$ágio
plu$ plágio
sarcástico
adágio
res im
pre($)sa
ma$$
acre
ácido
fatídico
&
(en)fático
sifilítico
mágico
lindo
míssel
via mídia
com$$
fala Cia
im
pre$$
cão!
pressa
dispensa
responsa
prensa
comprime
inventa
má mão
para
pre$$
cisão
re(s)para
prensa
preza
repensa
pre$$
tável
pró
fissão
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Universo em Verde - de donLeal

Título: Universo em Verde
Autor: donLeal
Foto: Sansão (Fábio Freitas)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Alegoria dos Fluxos - de donLeal
Na postagem "Sonhos de uma tarde de verão" (duas atrás), apresentamos um detalhe da "Alegoria dos Fluxos", bela pintura de donLeal feita no banheiro do Bar e Restaurante Padoka (Rua Lauro Werneck, quase ao lado do Wizard Vip). Agora, apresentamos acima outros detalhes desta belíssima pintura. As fotos são do nosso amigo Sansão (Fábio Freitas). Depois há quem diga que bar não é local de arte e cultura!
Luz das Estrelas
suspiros roucos
sussurros surdos insanos
vontades olvidadas
veladas velhas verdades
chagas chamejantes
xanas encharcadas
xotas enchorcalhadas
com cancros escancarados
com cancãs todos toldados
em cacos encalacrados
roda
valetes & vedetes
xuxetes & chacretes
mancebos mancebados
manchagados em manchetes
mix remix de dados amixordados
SOB A LÂMPADA !
cirandando cirandando
cirandando só
em suspiros loucos
murmúrios beijos boxixos
eunucos & moucos
sussurrando verdades
vontades aviltadas
veladas pulhas metades
com cancros chagas cancãs
xanas xotas xexecas
chamejantes
encharcadas
enchorcalhadas
enxanadas
SOB A LÂMPADA !
cirandando cirandando
cirandando só
em gemidos surdos
roucos loucos insanos
com cancros encalacrados
mil cacos estilhaçados
espalhando pelo caminho
xotas
chagas
xanas
ganas de esganar
SOB A LÂMPADA !
viandante viandante
viandante só
CORTA!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Sonhos de uma tarde de verão
Degusto a cerva gelada
numa tórrida tarde de terça
e por instantes sonho
que sou feliz.
Mas eis que
de repente!
um podre cheiro de merda
minhas narinas invade.
Troco de bar
mas a cerveja
já não é a mesma.
(redondos descem os sonhos
embrulhados no estômago)
Foto: Sansão (Fábio Freitas)
Poema: Marciano Lopes
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
As delícias do Mercadão Municipal de Maringá - por Wilame Prado
Repasso abaixo e-mail do jornalista - e estimado leitor da Revista Outras Palavras - Wilame Prado, de cuja banca de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de graduação tive o prazer de participar. Aliás, falando em prazer, parece que ele está se especializando em saborosas reportagens gastronômicas. Seu TCC - em parceria com Cauhê Sanches Pereira - foi uma reportagem (na linha do jornalismo literário) sobre os vendedores de beira de estrada em Marialva, trabalho cujo título foi "Hibridismo cultural em comércio informal de beira de estrada". :
Aproveito esta postagem para agradecer aos leitores que insistem em visitar A Poltrona. No último dia 8 de janeiro, este blogue completou dois anos, data a qual tinha me esquecido completamente. Fica aqui meus sinceros agradecimentos a todos que apreciam meu trabalho. Um abraço.
- Wilame Prado - A Poltrona (http://www.apoltrona.blogspot.com/)
Donas Doidas e Peter Pan
(Betânia Leite da Silva)
há mulheres que vivem
a vida como eterna ciranda
e permanecem sempre crianças
nenen é boneca amor é babá
comê e bebê é festa
morrê é naná...
- olha lá que lindo
mais uma estrelinha no céu!
- trabalhar deus me livre!
batê cartão é muito chato
e obrigação um pé no saco!
saem por aí esvoaçando dando risadas
fazendo da vida doida poesia
que se recita em alta voz
no meio de multidões ou do alto das sacadas
e quando tão tristes magoadas feridas
batem o pé fazem beicinho dão porrada
entortam garrafões de vinho o diabo a quatro
fazendo do boteco palco picadeiro
ou teatro de arena em que o astro
é meteoro em colisão!
donas doidas doidivanas
divas marias marílias gabrielas
elisas pagus dudas lucindas
luas luanas luzias lucianas
graces kellys kátias katianes
lígias níveas margaretes margaridas
joanas janinas janiras judiths
alices claras belas betânias
miríades de liliths e mil afrodites
amo todas vocês mas a vida
é luta renhida que se encara na porrada
pra se poder sentar (um pouco) feliz
à mesa fartamente servida é preciso
ser mais que criança é preciso
por cinderela e peter pan no seu devido lugar
caso contrário esse moleque doido pirado e cheio
de boas intenções faz do sonho pesadelo
e da noite um infinito e emaranhado novelo sem lua
nem estrelas...
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Temporada de Férias do "Circo Teatro sem Lona"
16 horas: Espetáculo “Peripécias circenses”
21horas: Espetáculo “Máscaras”
Ingressos: R$ 4,00 preço único
16 horas: Espetáculo “Peripécias circenses”
Ingressos: R$ 4,00 preço único
Castelos e marés
Amor, bela palavra envilecida
ou por demais gasta, tão sem medida.
(Perdido gesto, movimento incerto,
tristemente frágil ao som de um cello.)
Amor, bela palavra já sorvida.
Sempre ávida e insaciável ferida.
(Sofrido gesto, movimento incerto,
medroso e tímido diante do belo.)
Amor, apenas mente se não vivido,
bem ou mal tocado, bem ou mal bebido.
(Um novo gesto: movimento certo
derrubando barreiras, criando elos...)
Amor, doce encanto que nos enleia,
procela de sonhos em plena areia!
(Ancestral gesto: o pulsar das águas
indo e vindo sobre frágeis castelos.)
marciano lopes
domingo, 10 de janeiro de 2010
Da difícil tarefa de ser ator
barra é ser professor.
Interpretar todo dia
sem ao menos ter um palco
por salvação
não é pra qualquer um
só para hipócritas
e ratinhos
de labotoratório.
Viver por tanto
então
nem se fale.
Somente louco
ou artista.
Tanto vale.
marciano lopes
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Há muito que não escrevo
respondo com siso:
têm me consumido."
nem falo, nem estalo!"
e poetas de plantão
todavia digo:
na lata de lixo reciclável,
estou a procura
de uma poética sustentável".
Mas ao teto mofado
que nada me adaga
somente assopro:
"Nada mais me agrada."
em infinitas risadas ...)
Imagem: escultura de fumaça
Autor: Mehmet Ozgur
Fonte: http://c-h-u-l-a-p-a.blogspot.com/2009/12/esculturas-de-fumaca-de-mehmet-ozgur.html
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Os três porquinhos e o Lobo Mau na noite de Natal
Noite feliz
Luiz Vilela
Entre, Pai. Entre, Mãe. Entre, Joaquim. Vô Zeca. Vó Mariquinha. Tio Nunes. Rosa. Que bom, que bom que vocês vieram - eu estou tão feliz. Vai ser uma noite linda. Vai ser a noite mais bela de todas. Vamos, sentem, ocupem seus lugares.
E o Pretinho? Por que o Pretinho não veio? Você também devia ter vindo, Pretinho. Aí eu te pegava e te punha no colo - você era tão macio, tão quentinho. Miau... miau... Que saudades, Pretinho...
Sentem, sentem. A senhora está tão bonita com esse vestido, Mãe. Vô, o senhor não larga seu cigarrão de palha, hem? E o senhor, Tio Nunes, cuidado, não vai contar aquelas piadas bobagentas. Vó Mariquinha, sabe que a senhora fica muito elegante com esse coque? E a Rosa? Sempre com esse sorriso... Joaquim, quantos anos, hem? Quantos anos... Muita água passou debaixo da ponte...
E o senhor, Pai? O senhor está tão sério; tão calado.
DOSTOIÉVSKI
Havia num porão uma criança, um garotinho de seis anos de idade, ou menos ainda. Esse garotinho despertou certa manhã no porão úmido e frio. Tiritava, envolto nos seus pobres andrajos. Seu hálito formava, ao se exalar, uma espécie de vapor branco, e ele, sentado num canto em cima de um baú, por desfastio, ocupava-se em soprar esse vapor da boca, pelo prazer de vê-lo se esvolar. Mas bem que gostaria de comer alguma coisa. Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde num colchão de palha, chato como um pastelão, com um saco sob a cabeça à guisa de almofada, jazia a mãe enferma. Como se encontrava ela nesse lugar?
Para ler o restante do conto, clique:
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Dia 16: Grupo Abaecatu no 3o encontro do Café Cultural Maringá
Na próxima 4a. feira, 16 de dezembro, faremos nosso terceiro encontro com a presença do Grupo Abaecatu (foto). Confirme sua presença já pelo e-mail cafemga@yahoo.com.brInício: 20h
Local: Confraria 1516
(Av. Curitiba, esq. c/ R. Princ. Isabel - Maringá)
RELEASE:
O Grupo Abaecatu originou-se do Projeto de Extensão "Música, Poesia e Cidadania" da UEM, proposto pelo Museu Dinâmico Interdisciplinar e formatado na Diretoria de Cultura no ano de 2005.
O Projeto está vinculado aos Programas Nacional e Estadual de Educação Fiscal, e conta com o apoio da Associação SER - Sociedade Eticamente Responsável de Maringá e da Receita Federal. Não tem fins lucrativos. O auxílio financeiro obtido das instituições apoiadoras restringe-se à aquisição dos equipamentos e figurinos quando da criação do grupo, pela SER.; a partir daí a manutenção é feita através da ajuda de custo concedida por algumas instituições que recebem o grupo.
O grupo hoje conta com dois espetáculos, Cidadania e Meio-Ambiente, cada qual com duração de cerca de 40 minutos. A formatação de cada espetáculo é antecedida de pesquisa sobre músicas, poesias, autores, épocas de criação e histórico de cada composição, trabalho este feito pelos próprios componentes do grupo.
Atualmente compõem o Grupo José Ribeiro da Costa (Tijolo) (voz e violão), Enéias Ramos de Oliveira (voz, flauta transversal e percussão) e Marcia Clotilde Facci Capelette (poetisa e declamadora).
O nome ABAECATU é resultado de uma pesquisa na qual se buscou resumir o objetivo do grupo e do projeto, que é a conscientização sobre o pleno exercício dos direitos e deveres do cidadão visando à construção de um país mais justo, ético e solidário. É proveniente da língua Tupi-Guarani e significa "Homem de Bem", que é o que pretendemos que todo homem seja, no seu sentido mais amplo.
VAMOS ENCERRAR O ANO COM MUITA MÚSICA, POESIA E BOA COMPANHIA.
E NÃO SE ESQUEÇA: TRAGA VINHO PARA O BRINDE INICIAL.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Sansão nos estúdios da UEM-FM 106,9


quinta-feira, 5 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Ouçam "Cemitério Blues"!
http://outraspalavras.arteblog.com.br/226711/Cemiterio-Blues-ao-vivo-so-na-JIOP/
marciano lopes
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Outros epigramas lights
Insuportável mente
Qorpo Santo in mente sana
é loucura demais
pra babacas e bacanas.
Louvação anti-horaciana
Oração, oratória, coação.
Pra amenizar a dor, oh irmãos,
pregai a língua do pastor.
Graves trópicos!
Já pensaste quão grave seria para Newton
se em vez de uma maçã lhe caísse
uma jaca na cabeça?!
Adeus gravidade!
Operário padrão
É preciso socar paulada todo mês
para nunca virar pequeno-burguês!
marciano lopes
sábado, 24 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Eduardo Montagnari lança seu CD "dajabuticaba" - dias 27, 28 e 29 de novembro na UEM
O CD dajabuticaba reúne composições que Eduardo Montagnari vem aprimorando há mais de dois anos, mas que, na verdade, diz ele, “representa um trabalho de uma vida inteira”. Não afeito à rótulos, Eduardo dispensa nomear seu trabalho como MPB, preferindo designar suas composições como canções, o que de fato é bastante significativo, visto que seu trabalho de compositor resgata rirmos, melodias e temas característicos de um universo popular e muitas vezes rural. No entanto, isso é feito através de uma linguagem bastante estilizada, para não dizer refinada, pois marcada por arranjos muito bem trabalhados com vários instrumentos. Aliás, essa característica é mais desenvolvida ainda no trabalho que vem sendo feito para os shows de lançamento que ocorrerão nos dias 27, 28 e 29 de novembro no Teatro Oficina da UEM. Para você ter uma amostra do que vai rolar nos shows, ouça a canção título: Dajabuticaba.
Sobre as gravações e os arranjos do CD, comenta Eduardo:
“Este álbum tem a participação mais que fundamental do Rael Gimenes (arranjador e regente) e também do Paulo Machado, que foi o engenheiro de som juntamente com o Rael. Foi um trabalho super prazeroso dividido com mais de 20 artistas, entre músicos e cantores. A lista é imensa e o resultado fantástico. Com exceção de um único músico, amigo do tempo do Vapor, que colocou seu bandolim em São Paulo, o Ney, os demais músicos são de Maringá e, creio, o resultado é um documento do que é possível fazer por aqui com os nossos talentos: César no teclado, o próprio Rael na guitarra, o Paulo Machado no contra-baixo, o Beto Batera, o Júlio no acordeon, o Celso no 7 cordas, Gabriel no cavaquinho, Wilfredo no cello, Marcos no violino, Paulinho na viola, Jeffersom, Fábio, Lucas, Gedê e Taty nos sopros, Celinha, Sabrina, Flávio e Kelly no coro e tem ainda a Felícia, a Sabrina e a Rúbia cantando comigo”.
Perguntado sobre que mensagem gostaria de deixar aos leitores, Montagnari diz que ela “é o meio, quer dizer o próprio show. O gosto de cantar...”. Prazer que ele estará compartilhando conosco nas noites dos dias 27, 28 e 29 (sexta, sábado e domingo) de novembro. Ocasião em que se despedirá de Maringá cantando... bem conforme o espírito da cidade, que não deve ser canção só no nome. Não percam, portanto, o show dajabuticaba.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Conto: O LADO ESCURO*
porque nos devolve surdos
ao universo em movimento.
Ao meu grito desesperado,
a parede responde: louco.
E diz isso sem mover uma única de suas moléculas:
Solidão.”
(Sérgio F. Endler)
O relógio marca dez horas. Pela janela enxergo a lua cheia. Sua luz é tanta que apaga o brilho das estrelas e inunda meu quarto. Então escrevo.
Passam as horas... os dias... e assim vou sobrevivendo. Registro todas as sensações. Lembranças do momento passado... passado que passa... Mantenho-me vivo? Não sei, mas escrever é a única maneira de me relacionar com os homens, seres tão racionais... A cada página que preencho marco minha existência – ao menos no papel.
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Quando o dia amanheceu e o sol surgiu por detrás dos edifícios, iluminando o quarto, já não mais existia. Despertei com o rosto ardendo. Estava banhado em suor e minha cabeça girava. Tudo parecia estranho e demorei pra reconhecer o local em que estava. O poster do “Último discurso” de Charles Chaplin. O guarda-roupa velho, sem os pés traseiros, ficava encostado na parede. Uma caixa de feira, que servia de criado-mudo, ao lado da cabeceira da cama. Sobre ela, vários objetos: um livro do Camus, um cinzeiro, uma agenda, um isqueiro, uma caneta e um relógio despertador que já não funciona mais desde a última vez em que o atirei contra a parede. Porra! Não há mais cigarros!
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Não tardou para que iniciassem os ruídos da rua. Minha cabeça girava... cada vez mais girava.... girava... girava... a boca amarga... seca... Gosto de derrota? Não. Morte. Morte final de uma agonia lenta, de tantas outras mortes, como a de um tronco que é consumido aos poucos pelo fogo até virar brasas, essas brasas virarem pó e depois se perderem, levadas pelo vento.
Penso em levantar-me. Pra quê? Pra cumprir com minhas obrigações de bom cidadão, repetir a rotina de todos todos os dias? Não. Não levantarei, não sairei deste quarto. Não sairei pra ir perder-me na multidão. Não me fantasiarei com terno, gravata e maleta executiva. Não me enclausurarei entre quatro paredes para carimbar papéis e digitar. Digitar tudo o que o chefe diz, tudo o que o chefe quer, toda a sua verborréia! E arquivar. Arquivar é muito importante! Arquivar tudo o que não importa, que pra nada serve. Como os sentimentos e as reinvidicações de vida e justiça. Não importa. Nada importa. Todos me enganaram. Me iludiram. Fizeram-me acreditar na beleza e no amor, num deus bom e misericordioso que a todos ouve e perdoa. Mentira! Uma grande farsa! Só o mal é sábio. O amor é ilusão, pipoca para macacos. E eu não sou macaco!!!
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Ao olhar a agenda caí numa gargalhada que ressoou sinistra. Peguei o isqueiro e comecei a queimá-la. Página por página, nome por nome, iam todos ardendo aos poucos e virando brasas e cinzas... Ah! Naquele momento todas aquelas pessoas estiveram em minhas mãos! Eu as queimava paulatinamente. Torturava-as. Pagavam pelo mal que me fizeram. Principalmente uma, que mais que todas me enganara. Dissera-me que o amor era tudo. Cínica. Hipócrita. Sufocara-me com seu amor egoísta, com seu autoritarismo me anulando, transformando o livre fluir dos corpos num jogo de convenções. Tudo estava acabado. Nomes, endereços, esperanças, ardiam perante meus olhos e se transformavam em belas cores quentes na manhã fria...
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É madrugada. A rua está deserta e há um grande silêncio povoado de vozes, lamentos, sussurros vindos do nada, assim como a luz que projeta minha sombra gigantescamente horrenda sobre as paredes nuas.
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Levanto-me cambaleante e caminho até a janela. Na rua a multidão se espreme pelas calçadas, por entre carros e edifícios num vai e vem incessante. Parecem formigas, desorientadas, pequenas, distantes... distantes. Minhas pernas fraquejam e é necessário sair da janela pra não despencar. Não enxergo nada. Arrasto-me pelas paredes, agarro-me a elas, mas permanecem frias, impassíveis...
Olho pra lua. É bela e fria, impassível. Em nada alivia minha solidão. Fico a imaginar o que se esconde no lado escuro da sua beleza. Provavelmente o lado louco da lua. Demoníaca na beleza e na loucura, será um feitiço de satã para nos encantar? Que aconteceria se um dia o seu lado escuro se mostrasse pra nós?
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Reiniciam os sons da construção. O barulho faz com que as paredes rodopiem e cresçam sufocando... comprimindo... deixando meu corpo doido e doído e me dando vontade de gritar gritar gritar! Mas o grito não sai! fica preso na garganta no peito no coração enquanto a parede diz “Não sois máquinas; homens é que sois”! e me olha com seus olhos de ternura e piedade mas eu não quero piedade! não não quero compaixão! e despedaço o relógio na cara do Chaplin! Mantenho então os olhos fixos no teto branco mofado e vejo a vida passar como um filme um carro de fórmula um que se despedaça na parede enquanto eu menino ingênuo mas não do engenho brinco de forte-apache com os índios maus cercando o meu quarto e os soldados da sétima cavalaria a caminho e os meus pais se engalfinhando em brigas e mais brigas... depois vem o natal repleto de bebidas carnes presentes e hipocrisias odioso natal!! ao menos o ano novo é materialista por excelência tudo uma merda ambos uma merda detesto família parentes não os quero!!! sobrevivo melhor sozinho e brigo melhor sozinho como fazia no colégio a cada ano era um novo nunca esquecerei a briga com o diretor e o tombo nos cem metros... todos rindo rindo...
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Acordo angustiado. Estou ofegante. Sinto frio e a noite escureceu. Aos poucos o silêncio transforma-se em desespero... Milhares de vozes povoam o ar... sussurram a minha volta, nos meus ouvidos... os gritos e lamentos cortam a noite e penetram minha alma com a agudez do punhal frio fio da navalha tapo os ouvidos e fecho os olhos mas não adianta enfiar a cabeça embaixo dos travesseiros pois é impossível não ver a luz não ouvir os berros os sussurros os lamentos os pios agourentos os miados os latidos tudo tudo tudo girando em minha cabeça como um carrossel de luzes vermelhas sangrentas berrantes e a ira dos felinos com seus desejos e lamentos tão mais fortes que dilaceram minha carne minha alma oprimem meu peito e eu quero gritar mas um nó na garganta me impede me sufoca e a cabeça gira gira gira com tudo dançando a minha volta rodopio e me jogo ao chão e me bato e me rolo e me levanto e num salto desesperado pulo até a porta tento abri-la mas ela está trancada! trancafiada!!! então esmurro esmurro esmurro e grito! finalmente grito!!!! grito que ecoa e ressoa se perdendo na noite enquanto as paredes me respondem sem mover uma única de suas moléculas: louco!!! esmurro-as esmurro-as esmurro-as até manchá-las de sangue por todos os lados e não bastasse arremesso várias vezes a caixa contra elas mas mesmo manchadas mesmo sangrando mesmo feridas permanecem imóveis frias impassíveis distantes...
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Demorei pra reconhecer o lugar onde me encontrava. Era um quarto branco, de paredes nuas e limpas. Na realidade só havia uma cama de ferro, branca, na qual me encontrava deitado, uma cadeira e um criado-mudo, também brancos e de metal. Tentei levantar-me, porém estava imobilizado. Fazia frio.
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Largo a caneta. Lá fora é só escuridão. Deve ser o outro lado, o outro lado da lua.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Três epigramas lights
Civilização
Formiguinhas em fila.
Um Louva-a-Deus
para a ceia da família.
Dantesco
A vida é tão dura
que só de pensar
dá paúra.
Differénce
Beber até cair.
A felicidade do bêbedo
não é mesma do faquir.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Mais três obras de Gisele Cezar
http://outraspalavras.arteblog.com.br
terça-feira, 15 de setembro de 2009
domingo, 6 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Músicos e compositores maringaenses no I Sarau Outras Palavras

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